A cidade maravilhosa contou com uma delegação liderada pelo Presidente Lula e Pelé - que vibraram juntos com outros atletas - no anúncio da escolha da sede dos Jogos Olímpicos de 2016, em Copenhague, na cerimônia organizada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). A vitória sobre Madri, Chicago e Tóquio impulsionou uma projeção muito favorável para o Turismo no país para os próximos anos, já que além das Olímpiadas, a Copa do Mundo de 2014 também será no Rio de Janeiro.
Antes do Rio virar sede dos Jogos Olímpicos de 2016, a realidade era uma queda de turistas estrangeiros no Brasil, consequência da crise econômica mundial: de janeiro a agosto o número de visitantes internacionais caiu 4,1% e o faturamento 10,3%. A atribuição dos Jogos Olímpicos ao Rio trouxe o impulso necessário para fomentar o Turismo no país.
A maré de sorte vai muito além do setor turístico e hotelaria, se estendendo pela construção civil, serviços imobiliários e de aluguel, e, depois, o de serviços prestados a empresas, além dos reflexos no setor financeiro e de cartões de crédito. Não vai demorar muito para que os primeiros reflexos da campanha Rio 2016 comecem a aparecer.
Já em 2010, é previsto um aumento de 10% no número de turistas em todo o país. E até 2016, a tendência é que o crescimento continue, incentivando os investimentos externos nos mais variados setores. O aumento da oferta de voos diretos para o Rio é a primeira referência para o aumento e a ampliação da rede hoteleira.
A realidade no momento é que mão-de-obra será necessária, o que significa mais emprego, maior renda e estabilidade social, e também planos para capacitar os profissionais que irão receber uma enorme demanda turística, espalhados por todos os países do globo.
O portal do Ministério do Turismo na internet informou que o projeto de qualificação voltado para Copa do Mundo de 2014 também beneficiará o Rio nas Olimpíadas de 2016. Serão cursos à distância de inglês e espanhol para qualificar cerca de 80 mil trabalhadores. Além disso, o Ministério criou o site www.copa2014.turismo.gov.br para mostrar a relação do Turismo e a Copa do Mundo. As últimas notícias, curiosidades, enquetes e pesquisas já estão disponíveis no endereço citado.
Dezenas de milhares de profissionais irão prestar atendimento aos turistas estrangeiros dos cinco continentes. Por isso, a preparação começa em 2010, com os cursos em todas as cidades que vão sediar jogos da Copa. Além disso, os hoteis também terão linha de crédito especial no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Merval Pereira, colunista do Jornal “O Globo”, apresentou recentemente os dados de emprego do Ministério do Trabalho de 2008, relativos aos serviços, especialmente nas áreas de esporte, entretenimento, cultura, mídia e lazer:
“Apesar de, para o total das atividades econômicas, a cidade de São Paulo apresentar o dobro de emprego da cidade do Rio - cerca de 4,5 milhões contra 2,1 milhões -, nas áreas mencionadas o emprego na cidade do Rio de Janeiro é basicamente igual ao da cidade de São Paulo: 38.682 contra 44.508. Esses setores representam 1,8% dos empregos da cidade do Rio, o maior percentual de todas as grandes capitais."
O Ministério dos Esportes fez uma estimativa de quanto será o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro até as Olimpíadas, e informou que chegará a US$ 11 bilhões (R$ 22 bilhões) entre 2009 e 2016, e o Rio de Janeiro será o estado que mais terá contribuído com esse crescimento. O estudo prevê a criação de 120.833 empregos por ano, e a Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi) acredita num impacto imediato na valorização dos terrenos na Barra, epicentro das competições. O investimento previsto pelo Comitê Olímpico Brasileiro é de aproximadamente R$ 9 bilhões. O prefeito Eduardo Paes assumiu um compromisso com a população de disponibilizar todos os gastos na internet.
Entretanto, o Comitê Olímpico Internacional apontou dois problemas que a cidade precisa solucionar até o início dos jogos olímpícos: transporte e hotelaria. No que se refere a hospedagem, os padrões de qualidade do COI exigem hotéis de 3 a 5 estrelas, o que representa apenas a metade dos quartos que o Rio de Janeiro possui hoje.
O prazo dado para alcançar a cota mínima (40 mil quartos) vai até 2014. O secretário de Desenvolvimento do município, Felipe Goes, revelou em entevista para o jornal O Globo que os hotéis Méridien (da rede Windsor) e o Glória serão reinaugurados em 2010. O Rio de Janeiro pode alugar iates para suprir parte de sua demanda, mas a possibilidade ainda é colocada em questão. O plano apresentado pelo COB também prevê a construção de uma vila para abrigar os visitantes. A torcida é para que, desta vez, as obras terminem antes do fim do evento, o que não aconteceu no Pan 2007.
Além do aumento da vinda de estrangeiros para o país, os brasileiros que viajariam para fora terão uma abertura muito maior para conhecer as cidades próximas do Estado do Rio de Janeiro. O mercado de consumo interno brasileiro é um dos mais poderosos do mundo. A Copa e as Olimpíadas farão que o brasileiro fique no país, com a possibilidade de escolher os destinos turísticos próximos ao Rio para visitar, ao invés de uma viagem internacional.
O caderno de encargos apresentado pela delegação brasileira ao COI - a serem adotadas em diversas áreas, como transporte, urbanismo, meio ambiente, educação, cultura e turismo, segurança, esporte, infraestrutura para atletas e gestão. São elas:
- Transformar a Zona Portuária em um bairro residencial de entretenimento e turismo.
- Fazer a recuperação ambiental do Rio Maringá (Deodoro) e uma nova estação de tratamento de água.
- Fazer a concessão do Maracanã para a iniciativa privada a tempo da Copa do Mundo
- Integrar as instalações da Barra da Tijuca num único Centro Olímpico de Treinamento. Parte da verba para manutenção virá da União.
- Criar a Divisão Olímpica para a Sustentabilidade, que vai gerenciar os projetos ambientais e de sustentabilidade dos Jogos de 2016. Ela será responsável por elaborar um Plano de Gestão para garantir a realização do evento com o menor impacto ambiental.
- Plantar 24 milhões de árvores na cidade até 2016. Destas 3 milhões no entorno do Parque Nacional da Tijuca.
- Criar uma política de tolerância zero ao desmatamento da Mata Atlântica para acelerar a regeneração nas zonas de amortecimento do Parque Nacional da Pedra Branca e da Floresta da Tijuca. A medida será estendida aos mangues da Barra e às proximidades das instalações esportivas.
- Tratar e reciclar 100% do lixo sólido gerado durante os preparativos e operação dos Jogos de 2016 em parceria com comunidades carentes.
- Recuperar a Baía de Guanabara, além de rios e córregos, em particular o sistema lagunar da Barra da Tijuca. Isso será feito com a construção de unidades de tratamento, extensão da rede de esgotos e implantação de programas de educação ambiental.
- Toda nova construção deverá ser precedida de estudos de contaminação do solo.
- Eliminar todos os lixões ilegais da cidade até 2010.
- Criar novas estratégias para a reciclagem do lixo. O entulho das novas construções deve ser enviado para usinas de reciclagem.
- Implantar mecanismos para reaproveitar a água das chuvas e um sistema de economia de energia elétrica com o uso de painéis solares nas instalações esportivas e nas vilas a ser construídas. O projeto piloto será desenvolvido no Centro Olímpico de Treinamento, a ser construído no Autódromo de Jacarepaguá.
- Gerar 50 mil empregos temporários e 115 mil permanentes em áreas como turismo, gestão de esporte, construção civil e comércio, entre outras.
- Construir uma Vila Olímpica no terreno da Cidade do Rock com 17,7 mil camas, um centro de treinamento que reúna equipamentos de 11 esportes olímpicos e oito paraolímpicos. O empreendimento será financiado pela CEF e habitado por cerca de 2.400 famílias após o término do evento.
- Implantar na Vila Pan-Americana a Rua Carioca, com restaurantes e bares de estilo carioca.
- Criar uma praia particular para os atletas (Reserva).
- Promover, durante os Jogos, o festival "Um só Coração": um país por continente apresentará shows musicais, que serão transmitidos por diferentes meios de comunicação em tempo real.
- Jovens Embaixadores - A partir de março de 2015, alunos das escolas do Rio estudarão os valores Olímpicos e Paraolímpicos, os esportes e também a cultura dos países que participarão das Olimpíadas.
- O projeto Paixão Pelo Rio vai formar 200 medidores culturais, selecionados em comunidades carentes, que trabalharão como guias turísticos para as delegações após aprenderem línguas estrangeiras e cultura brasileira.
- Investir, até 2012, R$ 3,35 bilhões no Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci) para implantar medidas preventivas de combate à violência (Governo federal)
- Criar uma força única e integrada de segurança sob a coordenação da Secretaria Nacional de Segurança Pública.
- Investir R$ 731 milhões (valores atuais) em projetos de segurança para o evento.
- Investir, entre 2009 e 2016, pelo menos R$ 400 milhões no financiamento de infraestrutura das escolas públicas do país pelo Programa Mais-Educação (Governo federal).
- Ampliar os Jogos Escolares e Universitários, para atender cinco milhões de estudantes em 2016, o dobro do número atual.
- Distribuir bolsas para 11 mil jovens atletas de talento, até 2018, que não dispõem de patrocinadores privados.
- Ter, em 2016, 100% da frota de ônibus do Rio equipada com combustíveis limpos, como o biodiesel e o etanol.
- Criar barreiras acústicas para os novos corredores de transporte, com o plantio de árvores ou paisagismo.
- Oferecer transporte público gratuito para credenciados e público que estiver portando ingressos para assistir as competições olímpicas.
Em 2014, viajar de São Paulo para o Rio de Janeiro poderá ser muito mais fácil. A cidade planeja construir um trem de alta velocidade para a Copa do Mundo, expandir a rede de metrô e reformar o aeroporto Tom Jobim. Projetos que interferem diretamente na qualidade do transporte para melhorar a qualidade dos serviços turísticos para 2016, além de servir para os Jogos Mundiais Militares em 2011 e a Copa das Confederações em 2013, que também serão na cidade.
Se tudo isso for cumprido, o Rio 2016 será uma oportunidade única para transformar a infraestrutura da cidade. As melhorias no transporte e na hotelaria dependem do poder público ser transparente com os gastos nessas obras para que não aconteçam os problemas de má administração no Pan 2007. A população têm uma participação valiosa na cobrança dessas mudanças, para que a vida do carioca melhore, efetivamente, após o término da competição.
Carlos Eduardo Duarte
IDEIAS - Assessoria de Comunicação
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