A História e Monumentos Religiosos de Vassouras
Vassouras nasceu como cidade no ano de 1833, agora, 175 anos depois, ainda goza o ar dos velhos tempos. A preservação do patrimônio cultural feita durante quase dois séculos de existência transformou o município em um museu vivo.
O trabalho de campo do Projeto Visite Vassouras, um patrocínio do Programa Monumenta/Iphan do Ministério da Cultura e uma realização do Instituto IDEIAS, do SEBRAE/RJ e da Secretaria de Cultura e Turismo de Vassouras, está a todo vapor e descobre detalhes interessantes sobre a história do município.
Só de Instituições históricas e culturais, já foram identificadas e cadastradas 15, e o que se evidenciou foi o enorme impacto que a religiosidade teve na construção da cidade. São inúmeros os monumentos dedicados aos mais diversos credos que se estabeleceram na cidade. Alguns destes monumentos, como a Igreja Matriz, são parte integrante da história do município.
A Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, ou Igreja Matriz como é conhecida, é ainda mais antiga que a cidade. Foi ao redor dela que se organizaram os primeiros moradores da vila de Vassouras, tornando-a o centro da cidade.
Desde sua construção, em 1829, a Capela elaborada em estilo neo-clássico, passou por inúmeras reformas. Sua primeira ampliação foi em 1838, por ordem do governo da Província. As obras que consagraram a forma atual da Igreja com as duas torres, consistório e sacristia se arrastaram até 1953. Em 1967 a Igreja sofreu modificações para atender às diretrizes do Concílio Vaticano. A forma da Igreja foi mantida graças ao trabalho conjunto da Irmandade Nossa Senhora da Conceição, mantenedora da Igreja e o Patrimônio Histórico Nacional.
No seu interior a Igreja possui esculturas, vitrais, pinturas, murais, Lustres e mobiliário de época. De acordo com estudo de J.B Athayde, a Igreja inclusive abriga o corpo do fundador do povoado de Vassouras, Francisco Rodrigues Alves. Apesar desse dado nunca ter sido comprovado, serve para mostrar como a história da Igreja Matriz se confunde com a história do município, se tornando um local de visita indispensável para os interessados em turismo cultural.
Outras religiões também possuem história para contar no município. O Memorial Judaico - criado pelo paisagista Burle Max, um dos mais famosos do mundo - é uma das visões mais bonitas da cidade. O Memorial também possui uma interessante história que remete aos tempos do Império, quando a religião oficial do estado era católica.
O Memorial foi uma homenagem a dois ilustres judeus moradores de Vassouras, Benjamin Benatar e Michel Levy. Benjamin Benatar nasceu em 1809, em Marrocos. Depois de passar pela Bahia, Rio de Janeiro e São Sebastião chegou a Vassouras e logo se estabeleceu como um bem-sucedido comerciante. Criou o primeiro botequim de Vassouras e o primeiro jogo de bilhar, além da famosa Casa de Bailes. Amado pela população, sua morte foi um choque e um sério problema: devido às leis do Império, Benatar não poderia ser enterrado no cemitério católico, o único da cidade.
A solução pouco ortodoxa foi, ironicamente, dada pela Irmandade da Santa Casa da Misericórdia, uma instituição católica da qual Benatar era membro. O corpo foi enterrado em um pequeno jardim nos fundos do hospital, em terreno cedido pela Irmandade. Anos depois, em 1878, faleceria outro judeu marroquino, Michel Levy, que também foi enterrado no jardim.
Com o fim do império foi dada liberdade ao culto religioso e o jardim esquecido até o ano de 1990 quando, vendo sua importância histórica, criou-se o Memorial Judaico. Hoje um atrativo turístico muito procurado, o Memorial está fechado temporariamente, mas em breve voltará a ter visitas guiadas por seu jardim.
Marcada pela religião desde que foi criada, Vassouras possui até mesmo uma “figura mística”, nas palavras historiadora Lielza Lemos. Monsenhor Rios foi uma das personagens mais misteriosas e fantásticas de Vassouras. Nascido em 1806 e ordenado sacerdote em 1831, Padre Antônio Rodrigues de Paiva e Rios foi designado vigário de Vassouras, função que exerceu diligentemente por mais de trinta anos. Quando faleceu, em 1875, pediu para ser enterrado em cova rasa, sem esquife, no Cemitério da Conceição. Após a sua morte nasceu um mistério que ainda fascina os vassourenses.
No mesmo ano de seu falecimento surgiu na cabeceira de sua sepultura uma flor, cor de sangue, que só aparece na época de Finados. A Flor de Carne, como é conhecida, atrai para a cidade turistas e devotos que agradecem ao Monsenhor Rios graças pedidas e atendidas.



