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Calçadas de alto risco

Publicado em 19 de Junho de 2010 - 07:43

De acordo com o último Censo do IBGE, o número de pessoas portadoras de necessidades especiais chega a 24 milhões em todo o país. Estimase que dois terços dos portadores de mobilidade reduzida permaneçam em suas residências, devido à dificuldade de locomoção numa cidade pouco adaptada.
Os obstáculos começam na calçada: a maioria é estreita, com excessiva inclinação, pavimento irregular, piso escorregadio, buracos e barreiras físicas. A situação é mais crítica se lembrarmos que, no Brasil, cerca de 44% dos trajetos são feitos a pé.
O Rio de Janeiro, um dos maiores centros turísticos do mundo, possui um número insuficiente de calçadas acessíveis como nos outros estados.
O resultado é uma cidade com maior risco de se tropeçar, e isso passa a fazer parte do cotidiano dos pedestres.
E cada queda custa caro. De acordo com um estudo realizado pelo Ipea, ocorrem nove quedas a cada mil habitantes.
Segundo pesquisa, em maio de 2003, na aglomeração de São Paulo, foi apurada uma média de nove quedas por mil habitantes com um custo médio de R$ 2.500 por cada uma, incluindo as despesas geradas por acidentes, pós-hospitalar, resgate e perda de produção, devido ao afastamento do trabalho. Numa cidade como o Rio, que possui seis milhões de habitantes, seriam 54 mil tropeços por ano, custando aos cofres públicos R$ 135 milhões pelo mesmo período.

A terceira idade também sofre com o problema.

Em Copacabana, o índice de idosos chega a 27,5%, número próximo ao de países com população mais envelhecida do mundo, como o Japão. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a população de pessoas acima de 65 anos, no Brasil, deve saltar de 7% para 14% em 2025. E, se a Cidade Maravilhosa vai receber eventos como a Copa do Mundo, em 2014, as Olimpíadas e as Paraolimpíadas, em 2016, é essencial buscar soluções práticas. Além disso, uma calçada em boas condições aumenta em até 40% a circulação de pedestres e,  consequentemente, fomenta o desenvolvimento do comércio.
O caminho para a revitalização do passeio público está na utilização de uma tecnologia que exclua a maioria dos problemas descritos anteriormente. A calçada acessível deve ser feita com sistemas construtivos que resultem num pavimento resistente, uniforme, permeável, antiderrapante e de fácil manutenção.
Entre as alternativas de construção, existem as placas e os blocos intertravados, ambos de concreto. Países como Estados Unidos e Canadá têm grandes áreas formadas por sistemas desse tipo, bem como ruas e avenidas de capitais como São Paulo, Brasília, Curitiba e Belo Horizonte.
Tais cidades servem de exemplo e, após suas reurbanizações, as calçadas ganharam uma faixa livre e de uso exclusivo de pedestres, com mobiliário urbano limitado às áreas rédeterminadas, com fácil acesso aos portadores de mobilidade reduzida, trânsito adequado e sinalização tátil para o deficiente visual.
O proprietário do imóvel é o responsável pela construção e manutenção da sua calçada. A padronização e a conservação, além de promover a acessibilidade, são acima de tudo atos de cidadania. E a população deve ser informada sobre as normas estabelecidas em sua cidade a fim de buscar melhorias para sua comunidade.
Eventos têm sido realizados no Brasil para sensibilizar e envolver a cadeia produtiva da construção civil e os órgãos públicos. O objetivo é único: mostrar que a acessibilidade é a chave da porta para a integração e inclusão.
Segundo o Ipea, nas cidades ocorrem nove quedas a cada mil habitantes. No Rio, que tem seis milhões de habitantes, seriam 54 mil tropeços por ano.


Fonte: Eduardo D’Ávila - OGlobo