Cerimonial: Pendência Profissional para os Megaeventos no Brasil
Andrea Nakane
Inúmeros são os quesitos prioritários no planejamento dos megaeventos esportivos que a nação sediará nos próximos anos. Todos os itens, sem exceção, merecem atenção, empenho e esforços no intuito de estruturar um cenário para o pleno êxito dos acontecimentos especiais e, consequentemente, para consolidar definitivamente o país como sede ideal e propícia para a realização de eventos internacionais, de grandezas e áreas de interesse diversas.
Porém um atributo de grande relevância até o momento pouco foi abordado ou foi alvo demonstrativo de reflexões: trata-se do Cerimonial Desportivo.
A ordem de preocupação diz respeito a uma necessidade latente de capacitação profissional, tanto no foco amplo da essência da aplicabilidade dos protocolos, rituais sociais e etiqueta, quanto das especificidades do ramo esportivo.
Como instrumento responsável pela harmonização da convivência humana, regida por aspectos formais em uma composição estética, cenográfica, ora emocional, ora racional, com a supremacia do respeito e valorização dos costumes locais e internacionais, o Cerimonial precisa ser içado a um item de maior preciosidade e investimentos.
Assim como eventos, o Cerimonial é considerado uma atividade e não há atualmente uma regulamentação legal de reconhecimento como profissão.
Geralmente as áreas de Relações Públicas e Turismo apresentam perfis profissionais orientados para a prática do Cerimonial, já que em seus cursos de graduação, há disciplinas específicas que exploram esse universo de informações e dados.
Mediante os grandes desafios que o país enfrentará há necessidade de uma maior propagação desses conhecimentos e esses não devem ficar exclusivamente restritos a um pequeno grupo, já que o trabalho em equipe em Cerimonial é primordial. O momento é também próspero para atualizações, requalificações e até mesmo para ampliar o raio de conhecimentos dos profissionais de maior expertise.
Dinamismo
Diferentemente do que se pode imaginar, o Cerimonial é dinâmico e acompanha as próprias transformações da sociedade global contemporânea.
Ter ciência que o hasteamento invertido de uma bandeira ou de um posicionamento lado-a-lado de nações historicamente rivais na esfera política ou ainda, a execução de um hino nacional fragmentado, não só resultará em um explícito amadorismo, acrescido de grande insensibilidade, fomentando fragilidades diplomáticas e expondo o despreparo para a ocasião.
Ações como leituras de obras sobre o assunto (nesse caso livros do "Papa" do Cerimonial no Brasil, professor Nelson Speers e do professor especializado em Cerimonial Esportivo, Davi Poit são obrigatórios), participação em cursos livres e de aprimoramento, além da curiosidade latente com relação à cultura dos diversos povos que irão participar dos eventos são algumas referências que urgentemente devem ser implementadas sejam por profissionais liberais ou gestores públicos, por empresas, governos ou entidades esportivas.
Que o povo brasileiro tem em seu DNA a essência da hospitalidade é de notório saber mundial, porém equalizar essa vocação com as tradições dos demais povos visitantes é também o foco do Cerimonial, e antes da prática, é preciso obter teorias, normativas e dispositivos legais orientativos para a excelência do Cerimonial.
Dessa forma, estaremos seguros e realmente preparados para desempenhar nosso papel de anfitriões, permitindo maior conforto, acolhimento e bem estar em todas as provas, cerimônias, celebrações oficiais e recepções.
No quesito Cerimonial Desportivo não podemos nos contentar com a medalha de bronze. Preparação, disciplina e dedicação agora, nos brindará com o lugar mais alto no podium do mundo, no qual orgulhosamente exibiremos nossa dourada condecoração como referências de elevada civilidade profissional.
Andréa Nakane é docente e coordenadora do curso de Turismo da Universidade Anhembi Morumbi e recentemente trabalhou como voluntária dos Jogos Mundiais Militares 2011, no Rio de Janeiro.
Fonte: Diário do Turismo


