Feira de São Cristóvão comemora 65 anos
Forró, sanfonas, baião de dois, carne seca, tapioca, literatura de cordel e muita animação. É assim que a Feira de São Cristóvão está se preparando para a comemoração dos seus 65 anos. A festa está marcada para a próxima quinta-feira, 2 de setembro, com a abertura do pavilhão às 10h, e uma das atrações garantidas é o cantor Zé Ramalho.
Os visitantes que forem prestigiar o aniversário do Centro de Tradições Luiz Gonzaga, poderão conhecer a culinária típica do nordeste, os artesanatos produzidos na região e se entreter ao som de apresentações que prometem animar a noite toda. Durante o dia haverá o sorteio de brindes, entre eles uma moto zero quilômetro e duas passagens para Fortaleza com a acompanhante e hospedagem por um final de semana no hotel Beira Mar.
Quem chegar cedo poderá participar ainda da Missa da Feira, marcada para as 17h na Praça Catolé do Rocha, e assistir aos trios pé-de-serra Zé da Onça e Sua Gente, Netinho Ferreira/trio Aba de Couro e Chico Souza/trio Taperoá. Estão confirmadas ainda as bandas Forró Balança, Impacto Show, Energia do Som e CaraForró, além dos repentistas Miguel Bezerra e Zé Viana e o grupo Boi da Feira. O grande convidado da noite será o cantor e compositor Zé Ramalho, abertura prevista com o artista CaraForró, a partir das 22h.
Depois de 65 anos bem vividos, a Feira comemora a sua popularide no Rio de Janeiro, graças à exibição permanente de ícones tradicionais da Cultura do Nordeste. As diversas representações Culturais se expressam e se apresentam nos seus sete Núcleos. Os palcos João do Vale e Jackson do Pandeiro trios, grupos e bandas se reversam apresentando os ritmos característicos. O Som Nordeste se impõe e se apresenta como ritmo urbano consolidado. Nas praças Câmara Cascudo, Mestre Vitalino, Frei Damião e Padre Cícero os amantes do pé-de-serra encontram prato cheio no Roda de Forró, nesses locais se curte e se dança baião, xaxado e xote. Na Praça Catolé do Rocha os admiradores do repente e do cordel estão em casa, podem comprar os livretos ilustrados com xilogravura.
No dia 2 de setembro de 1945, exatamente final da 2ª grande Guerra Mundial, aglomeravam-se nordestinos no Campo de São Cristóvão. Eles chegavam do Nordeste para tentar trabalho na cidade do Rio de Janeiro, fugindo da seca que os castigava; também por falta de trabalho e oportunidades na sua região. Um deles dominava o ofício do cordel, Raimundo Santa Helena. Um dia, Santa Helena passava pelo local, quando percebeu que outro grupo se movimentava de forma diferente. Eram ex-combatentes, os pracinhas que chegavam da campanha brasileira na Itália. Curioso perguntou de que se tratava e alguém lhe respondeu dizendo que eram soldados voltando da guerra. No mesmo instante inspirou-se e declamou para o grupo um repente que mais tarde se transformaria em cordel: “Hoje terminou a guerra de irmão contra irmão, voltarei à minha terra; vou plantar no meu sertão”. *Criou-se então, o elo entre os que chegavam e os que regressavam. Uns em busca da sobrevivência e outros, porque sobreviveram. Assim a Feira se fez. (*Trecho do livreto encarte do CD Forró da Feira 2, de Gilmar Chaves).
Com informações da Associação dos Feiras/CLGTN
Para mais informações acesse: www.feiradesaocristovao.org.br
Paula Giolito
Assessoria de Imprensa
Instituto IDEIAS



