Museu do Amanhã é lançado no Cais do Porto
Diante de uma plateia atenta, o arquiteto espanhol Santiago Calatrava traçou algumas linhas, pintou-as com aquarela e explicou cada detalhe do Museu do Amanhã, que foi lançado ontem, no armazém 2 do Cais do Porto. O prédio de formas audaciosas e alongadas — em concreto, aço e vidro — ocupará o Píer da Praça Mauá, a partir de 2012. A instituição está inserida no projeto Porto Maravilha, que tem como objetivo a revitalização de toda a Zona Portuária.
Um dos motes do Museu do Amanhã, dedicado à ciência e à tecnologia, é fazer com que as pessoas pensem no futuro de forma mais consciente.
Um dos mais conceituados arquitetos da atualidade, Calatrava, que está no Rio pela segunda vez, se disse impressionado com a beleza carioca e contou que se sentiu desafiado pelo projeto. Na entrevista, ele mostrou estar totalmente familiarizado com a cidade. O arquiteto citou lugares como o Mosteiro de São Bento, o Morro da Conceição e a Vista Chinesa, local onde seu filho, Gabriel, disse estar na cidade mais bonita do mundo: — Como arquiteto, creio que é importante reconhecer o contexto. É um desafio enorme intervir nesta cidade, que tem um patrimônio natural e arquitetônico secular. Por outro lado, a Zona Portuária é extremamente sensível porque foi um dos locais de fundação da cidade. Não podia deixar de sugerir que a Praça Mauá, que pode se tornar a mais bonita do Rio, seja recuperada.
Se o projeto for levado a cabo, com a integração da Praça Mauá, penso que este seria o projeto de museu mais importante de toda a minha carreira.
O evento contou com a presença do prefeito Eduardo Paes; do presidente do Instituto Pereira Passos, Felipe Góes; do presidente da Fundação Roberto Marinho, José Roberto Marinho; e do secretário-geral da instituição, Hugo Barreto. Os convidados — arquitetos, engenheiros, autoridades e empresários — tiveram a oportunidade de conhecer o projeto do museu através de imagens mostradas num telão e de uma maquete. Ao todo, serão 12,5 mil metros quadrados, distribuídos por dois andares interligados por rampas. Serão investidos R$ 130 milhões — sendo R$ 35 milhões no desenvolvimento, no conteúdo e na infraestrutura da instituição e R$ 95 milhões na construção do edifício, incluindo projetos e arquitetura.
O museu ficará sobre um espelho d’água, rodeado por áreas verdes.
Para concebê-lo, Calatrava se inspirou em formas da natureza. Ele projetou um prédio voltado para a ideia de sustentabilidade, uma das palavras-chaves na concepção do Museu do Amanhã. No teto, foram projetadas grandes abas que se moverão de acordo com a posição do sol para captar a energia solar e convertê-la em elétrica. A água da Baía de Guanabara será utilizada no sistema de refrigeração.
A instituição vai unir ciência e tecnologia de uma forma diferente da usual e pretende levar o público a uma experiência transformadora, explorando a diversidade. Logo na chegada, o visitante passará pelo Atrium de Hoje, um portal de informações contemporâneas.
Depois, seguirá para a Travessia das Perguntas e para a Espiral Cósmica, uma espécie de nave que partirá da Praça Mauá rumo às galáxias, passando pelo interior de um átomo.
Paes disse que a prefeitura ainda não dispõe de verba para viabilizar a derrubada do Elevado da Perimetral, considerada um passo fundamental para o sucesso do projeto Porto Maravilha. Para financiar as obras de infraestrutura necessárias na área, o município pretende emitir Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) — títulos que serão leiloados a empresários interessados em construir acima do gabarito .
— Demolir a Perimetral é mole, o problema é construir o túnel que substituirá a Perimetral e que custa em torno de R$ 1,5 bilhão. Esses recursos ainda não estão viabilizados.
Estamos aqui assumindo o compromisso de implantar este fantástico equipamento (o museu) e, se tudo caminhar bem, em breve vamos ter a Perimetral longe das nossas vistas — disse Paes.
FONTE:
Jacqueline Costa
OGlobo


