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Pacotes mais baratos salvam turismo da crise

Publicado em 17 de Agosto de 2009 - 10:40

Os operadores turísticos anteciparam a crise e apresentaram ofertas mais atractivas. Resultado: as quebras foram muito menores do que o esperado e alguns destinos até registaram acentuado crescimento.

O cenário de crise económica somado à emergência da gripe A fazia prever um péssimo ano para o turismo. Mas, afinal, não foi assim. O número de portugueses a viajar em férias não sofreu grandes oscilações, pelo menos, a julgar pelos dados recolhidos, até Junho, pela Associação Portuguesa de Agências de Viagens e de Turismo (APAVT).

O que diminuiu foi o volume das vendas, o que se explica pela ampla oferta de pacotes promocionais, a custos mais baixos do que é habitual. Os dados acumulados até Junho revelam que o número de portugueses a viajar cresceu 4%, enquanto as vendas baixaram 15%, informou fonte daquela associação.

João Passos, presidente da APAVT, não nega que a crise também se fez sentir no sector turístico, embora ressalve que a quebra foi menor do que as previsões. "Foi um ano excelente considerando que estamos em crise", sublinha. Quanto à preferência por destinos mais acessíveis, diz que os consumidores compraram o que estava disponível.

Entre os campeões de preferências de 2009 estão as Caraíbas. A aposta em campanhas muito agressivas, com pacotes "tudo incluído" por valores imbatíveis, resultou numa grande adesão por parte dos turistas portugueses.

Cabo Verde é outro destino em alta, este ano, com um aumento na ordem dos 150%. O reforço da oferta, devido ao início de voos charter para Boavista, ajuda a explicar esta tendência. Como novidade, aparece a Bulgária que, graças a um apelativo marketing, conseguiu crescer 130%.

Outros destinos mais próximos, como Marrocos e Turquia, figuram também entre os preferidos dos portugueses. Até Junho, o crescimento registado era de 200%, segundo as contas da APAVT. O mercado espanhol, avaliado na totalidade, apresenta uma evolução positiva, não obstante Palma de Maiorca se ter ressentido da gripe A.

Por cá, o Algarve registou, no início do Verão, uma ligeira quebra, devido à retracção do mercado do Reino Unido, que foi compensada, em parte, pelo turismo nacional. Por apurar, estão, ainda, os meses de maior afluência, pelo que qualquer tendência pode ser desmentida. Madeira e Açores consolidam-se como destinos de eleição, tanto de portugueses como de estrangeiros.

O Brasil - um dos países tradicionalmente mais procurados - poderá ter sido afectado pela combatividade das campanhas caribenhas, embora seja impossível, para já, quantificar o volume de negócios registado por cada mercado.

No caso do Brasil, o facto de os operadores terem optado por não fretar charters, estando todos os voos a cargo da TAP, dificulta a distinção entre turistas de lazer, viajantes com interesses étnicos e os que vão em negócios, de acordo com a APAVT. O que parece certo é que, após o auge atingido em 2004/05, o Brasil apresenta tendência para estabilizar, até porque nunca poderá ser um destino muito barato, dada a sua localização, esclarece João Passos.

O México, que teve todas as operações suspensas de 15 de Maio a 15 de Junho, foi fortemente penalizado pela gripe A. Contudo, na segunda quinzena de Junho, os voos apresentavam já uma lotação de 65%.

Fonte: Jornal de Notícias