Polêmica nas vidraças do Palácio de Cristal
Preocupadas com a instalação de blecautes nos vidros do Palácio de Cristal durante a realização de exposições no interior do imóvel, entidades que defendem a preservação do patrimônio histórico de Petrópolis denunciam o que consideram uma descaracterização da construção, que data do século XIX. Tombado pelo Iphan, o Palácio de Cristal é um dos cartões postais mais conhecidos da cidade serrana, recebendo, em média, sete mil visitantes por mês.
— A instalação daqueles blecautes, afixados diretamente nos vidros, descaracteriza totalmente o Palácio de Cristal, uma construção em ferro e vidro, que marca o período da industrialização. Tira a transparência, que é a beleza daquele monumento — diz a representante da Associação de Moradores e Amigos do Centro Histórico (AMA-Centro Histórico), Myrian Born.
Opinião semelhante tem o presidente do Instituto Civis, Mauro Correa.
— É complicado que, a cada exposição ou atividade, o palácio, que é um bem tombado, sofra adaptações. A instalação de blecautes faz o Palácio de Cristal perder o que tem de mais bonito, que é a transparência, que valoriza e realça a beleza daquela construção. O palácio foi construído com a ideia de dar visibilidade tanto para quem está dentro como para quem está do lado de fora — diz Mauro Correa.
Myriam lembra que, ao longo dos anos, o patrimônio paisagístico da área externa do palácio também vem passando por intervenções que preocupam as entidades: — O palácio foi construído a pedido do Conde’Eu, que o presenteou à Princesa Isabel.
Ele foi feito para abrigar exposições de flores; mas os jardins tinham árvores grandes, que faziam sombra no palácio.
Nos últimos anos houve uma descaracterização dos jardins, pois as árvores sofreram uma poda absurda. O Palácio de Cristal é um prédio histórico que merece mais atenção e também um tratamento paisagístico adequado, com o aumento do verde ao seu redor.
A Fundação de Cultura e Turismo de Petrópolis informou que o Palácio de Cristal passou por reformas recentemente para “resgatar a tradição de abrigar exposições”. Com a renda da bilheteria, foram realizadas melhorias no imóvel, como nova pintura. O palácio também já teve o banheiro reformado, o canteiro refeito, e as árvores podadas.
Também foram realizadas a manutenção da pérgula, a limpeza dos lustres, a troca da iluminação, a aplicação de resina fosca para proteção do piso e a recuperação das ferragens, segundo a prefeitura.
Para abrigar a última exposição de flores, foi instalado blecaute devido à sensibilidade das plantas, principalmente as orquídeas, ao sol. Entre as espécies exóticas expostas estava bromélia Brokini reducta, originária do pântano venezuelano, de valor estimado em R$ 5 mil e curiosa pelo fato de “comer” insetos.
O blecaute protegia ainda a orquídea Clabiata semialba, da coleção Almeida Braga, avaliada em R$ 1 mil.
Fonte: Jaqueline Ribeiro (Oglobo – 06/06/2010)


