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Setor de turismo está em grande fase, diz Paulo Villela, diretor de operações da Riotur

Publicado em 27 de Outubro de 2009 - 04:52

Duas graduações (Turismo e Economia), dois mestrados em Turismo nos EUA, ampla experiência nos setores hoteleiro e de eventos... Desde fevereiro à frente da diretoria de operações da Riotur, Paulo Villela chegou longe. Mas não foi de uma hora para outra. No início da carreira, topou trabalhar sem salário e teve de ralar para se firmar numa carreira instável e não regulamentada.

- Nesta área não pode haver preconceito. Interesse-se por tudo, seja sociável, esteja disponível e atento às oportunidades. Principalmente agora, no Rio, elas estão em toda parte - diz, em resposta às perguntas de leitores do site do GLOBO.


Quais são as qualidades fundamentais para quem quiser se dedicar ao ramo de turismo? (Jasmine da Silva)

PAULO VILLELA: Sociabilidade, responsabilidade, devoção ao trabalho e curiosidade, no sentido de variedade de interesses. A área exige muita disponibilidade de tempo, demanda observação e consciência de que o serviço exige criatividade, não dá para ser um burocrata que só trabalha das 9h às 17h.


Quais são as áreas de atuação do turismólogo? (Jasmine da Silva)

VILLELA: Hotelaria, agências, >ita<trade turístico e, no setor público, a área de planejamento e serviços. Nos próximos anos, o setor de eventos tende a crescer muito e criar inúmeras vagas.


É obrigatório conhecer línguas estrangeiras? Quais? (Maria Terezinha Santellano)

VILLELA: No mundo de hoje o conhecimento de línguas não está ligado só a essa profissão. Todos devem ser capacitados. Inglês é primordial. Espanhol também. Se tiver oportunidade de estudar outras, chinês e alemão abrem portas.


O que se deve incorporar ao currículo para fazer diferença? (Joyce Maia Brandão)

VILLELA: É importante adquirir cultura de modo genérico, interessar-se por comportamento, história e arte e estar atento ao que acontece no mundo, não só por meio de informações jornalísticas. Busque informação na internet, tenha um olhar diferente. Em termos formais, pós e cursos de extensão sempre enriquecem o currículo.

Quais as melhores cidades do país para trabalhar com turismo? (Jasmine da Silva)

VILLELA: O Rio tem perspectiva muito boa devido aos eventos internacionais que sediará. Outras grandes cidades oferecem oportunidades variadas.

Concluí a graduação e estou sem emprego. Por que o mercado não está absorvendo a mão de obra? (Carla Terra)

VILLELA: Muitas vezes o mercado não absorve justamente por estar em crescimento, assentando-se. Demanda um tempo de maturação. Mas estamos numa grande fase. O Rio vive momento virtuoso, enquanto já começa a se preparar para os principais eventos do mundo, incluídas as Olimpíadas e a Copa do Mundo. E deve receber mais coisas, com a divulgação no exterior. Agências que não operavam aqui estão chegando.

" O mais importante é ter curiosidade, determinação e procurar seguir sua vocação (Paulo Villela) "

Como o profissional de turismo pode se beneficiar da Copa de 2014 e dos Jogos de 2016? (Francisco da Silva G. Júnior)

VILLELA: Antes de mais nada é preciso observar o que está acontecendo no mercado e se disponibilizar para atividades que não necessariamente exijam graduação. A produção de eventos vai mesmo crescer. E, antes de querer por a mão na massa, procure saber como funciona um evento, vá acompanhar a montagem. Ter a dimensão global é importante.

O senhor é a favor da regulamentação e de que só formados em Turismo trabalhem na área? (Leandro Mello)

VILLELA: Apoio a regulamentação, mas não de forma restritiva. Sou contra a reserva de mercado. A área de turismo é ampla demais para a limitarmos só aos graduados em Turismo ou Hotelaria. Quem fez esses cursos até tende a ser mais qualificado e conseguir mais vagas, mas não se pode fechar as portas para o conhecimento. Outros profissionais podem enriquecer o meio e trazer ideias.

Um curso técnico basta? (Marcio Moreira)

VILLELA: Ter formação superior é sempre melhor. Mas não são poucos os casos de pessoas bem-sucedidas sem graduação. No fundo, o mais importante é ter curiosidade, determinação e procurar seguir sua vocação.

Fonte: O Globo