Verão europeu busca lugar ao sol
Este verão tem sido de muito sol e calor na Europa – um apelo quase irresistível a viagens. Mas, na primeira alta temporada desde o início da crise mundial, em setembro de 2008, e à sombra do medo da gripe suína, ao menos os visitantes estrangeiros parecem ter declinado do convite.
Na França, país em que até 6% do PIB vêm da indústria do turismo, a quantidade de viajantes chegados do exterior pode despencar cerca de 30% até o fim do verão. Já na Espanha, a queda no primeiro semestre, já pegando o início da estação, foi de 11,4% em relação a 2008 – e 11% do PIB do país vêm da atividade. Ironicamente, quem ajuda a evitar um desastre completo no setor são os turistas locais: sem dinheiro para esbanjar, os europeus têm aproveitado as promoções de pacotes de última hora – uma resposta da indústria para contornar a crise – em seus próprios países, e movimentam a economia.
Férias caseiras salvam a França
Número menor de estrangeiros é compensado por turismo interno
Sexta-feira. Praça da Bastilha, um dos pontos turísticos da cidade. Na banca da esquina, jornais franceses anunciavam na primeira página a boa novidade de um ano particularmente difícil: a França saiu da recessão. De férias em Paris, o professor Thierry, 41 anos e a enfermeira Emmanuelle Dulaurans, de 42, moradores de Bordeaux, passeavam com seus dois filhos na praça que marcou o início da Revolução Francesa.
- Crise? Não, não vi a crise. Mas também não estou vendo a retomada – brincou Thierry.
- O museu do Louvre estava lotado – comentou Emmanuelle.
Entretanto, a crise no turismo na França está mais do que clara nas estatísticas do governo: líder do setor em todo mundo, o país viu o número de visitantes estrangeiros diminuir. Para julho e agosto, no auge do verão, a expectativa é a queda de 30%. O que salva o setor são os próprios franceses, que estão indo menos para o exterior e viajando mais no seu próprio país.
Os Dulaurans estiveram na Espanha na Páscoa. Mas resolveram tirar férias de verão na França. Outros sequer consideraram a hipótese de viajar para fora. Foi o caso do vendedor de auto-peças Stéphane Mioche e sua mulher, Válerie, moradores de Côte d´Azur – um dos destinos mais badalados do verão francês. O casal resolveu escapar das praias lotadas do sul para passar o final de semana fazendo turismo na capital.
- Os pequenos salários como o meu não sentem a crise. Não tenho nem mais dinheiro nem menos com esta crise – disse Stéphane.
O governo aposta nas viagens de última hora em agosto, tradicional mês de recesso escolar na Europa. Decididos a apertar o orçamento das férias, muitos franceses esperam as promoções de última hora, que proliferam nos sites de viagens. Acampamentos, assim, como são chamadas maison d´hôtes – opções mais baratas de hospedagem – estão em alta, segundo as autoridades de turismo.
Fonte: O Globo


